Dia 25 – Santiago de Compostela: Buen Camino!
A chegada à Praça do Obradoiro, as lágrimas inevitáveis e a pergunta que fica: o que fazer com tanta liberdade?

Chegámos. A Praça do Obradoiro, as torres barrocas da Catedral de Santiago, o Botafumeiro na Missa do Peregrino. Após semanas de caminhada, a chegada é tudo o que imaginávamos — e completamente diferente do que esperávamos.
A entrada em Santiago de Compostela faz-se pelo bairro histórico, por ruas de pedra que serpenteiam entre igrejas e palácios até que, de repente, num ângulo de esquina, a Praça do Obradoiro se abre à nossa frente.
Não há palavras completamente adequadas para descrever este momento. A Catedral de Santiago de Compostela, com as suas torres barrocas de granito cinzento erguendo-se sobre a praça, é uma das construções mais bonitas do mundo ocidental. Mas o que a torna inesquecível não é a arquitectura — é o que representa para quem está ali depois de semanas de caminhada.
Sentámos no chão da praça, como fazem todos os peregrinos. Tirámos as botas. Olhámos para a catedral em silêncio. À nossa volta, outros peregrinos faziam o mesmo — alguns choravam abertamente, sem vergonha. Outros abraçavam-se. Uma coreana que tínhamos encontrado em Roncesvalles três semanas antes cruzou a praça correndo e abraçou-nos com uma força que não esperávamos.
A Missa do Peregrino, celebrada todos os dias ao meio-dia na Catedral, é uma experiência única. A enorme nave románico-barroca encheu-se de peregrinos de roupas gastas e mochilas suadas. O padre deu as boas-vindas em vários idiomas. E então: o Botafumeiro.
O Botafumeiro é o maior incensório do mundo — 53kg de prata, pendurado numa corda de 65m, que oito funcionários chamados tiraboleiros balançam até atingir velocidades de 68km/h, varrendo os transeptos da catedral num arco gigantesco. Originalmente destinado a perfumar o ar (os peregrinos medievais chegavam em condição olfativa que se pode imaginar), hoje é um espetáculo sagrado de rara beleza.
Depois da missa, recolhemos a Compostela — o certificado em latim que atesta a conclusão do Caminho. Lemos o nosso nome em latim num pergaminho e a emoção voltou.
Santiago é o fim. E como todos os fins verdadeiros, é também um começo. Buen Camino.
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