Dia 24 – Sarria a Santiago de Compostela: Os Últimos Passos
Os últimos 100km do Caminho Francês — campos galegos, cruzes de pedra e a chegada iminente

Dos 100km finais, cada passo tem um peso diferente. Portomarín, Palas de Rei, Arzúa — os nomes que antes eram abstrações do guia tornam-se realidade. Santiago está próxima. Demais, talvez.
Os últimos 100km do Caminho têm uma qualidade de luz diferente. Cada aldeia, cada cruzeiro de pedra, cada bosque de eucaliptos tem o peso de quem sabe que está a aproximar-se de um fim que também é um começo.
Portomarín é uma das cidades mais curiosas da Galiza: foi inundada em 1962 pela construção do Embalse de Belesar, e os seus principais monumentos — incluindo a majestosa Igreja Fortaleza de San Juan — foram desmontados pedra a pedra e reconstruídos na nova Portomarín no alto da colina. Uma cidade que emigrou para cima.
Palas de Rei e Melide marcam a entrada no trecho mais galego do Caminho: os caminhos de terra entre muros de pedra cobertos de musgo, os hórreos ao fim de cada quinta, os polveiros (restaurantes especializados em polvo à la gallega) de Melide — o polvo mais famoso do Caminho, cozido em grandes caldeirões de cobre e servido com pimentão e azeite sobre uma tábua de madeira.
Arzúa, última grande parada antes de Santiago, tem os melhores queijos da Galiza: o Queixo de Arzúa-Ulloa, cremoso e suave, que os peregrinos compram às rodelas nas mercearias locais. Comemos queijo com mel e um café, olhámos para as mochilas sujas e gastas, e percebemos que dali a um dia tudo seria diferente.
O Monte do Gozo (Monte da Alegria), a poucos quilômetros de Santiago, foi historicamente o ponto onde os peregrinos avistavam pela primeira vez as torres da catedral e se ajoelhavam de alegria. A cidade cresceu e a vegetação cobre o horizonte — mas a emoção de saber que estamos a minutos de Santiago permanece intacta.
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