Dia 29 – De Volta ao Caminho: Memórias e Saudades
O caminho não termina quando chegamos a Santiago — continua dentro de nós

Semanas depois de voltar, as memórias do Caminho continuam vívidas. Os pés já não doem, a mochila está guardada, mas o Caminho ainda está a acontecer — de formas que só se percebem com o tempo e a distância.
Há uma coisa que os peregrinos veteranos dizem e que só se entende depois de andar: o Caminho não acaba em Santiago. Acaba algures nos meses seguintes, quando as lições aprendidas nas pedras e nos albergues começam a mostrar-se nas decisões quotidianas.
Voltei ao trabalho, à rotina, às responsabilidades. Mas algo ficou diferente. A capacidade de estar presente — que o Caminho treina impiedosamente, hora após hora — transferiu-se, de forma imperfeita mas real, para o dia a dia. A paciência com o processo. A confiança de que os passos dados na direção certa chegam onde têm de chegar.
As conversas com os companheiros de Caminho continuam, por mensagem e por vídeo. O alemão de Roncesvalles enviou fotos da terceira Compostela que acabou de receber. A coreana tomou a decisão que estava a adiar. A família portuguesa anda a planear o Caminho Português.
E eu? Estou a olhar para o mapa e a ver que há outros caminhos. O Caminho Português, o Caminho Primitivo, o Norte. O Via Francigena em Itália. O Kumano Kodo no Japão. O mundo está cheio de caminhos que levam algum lado que importa.
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