Dia 31 – Outono: Recordando o Caminho com Olhos Novos
Meses depois, o Caminho é memória viva — e a saudade de novo começo

Com o outono a chegar, revisitamos as fotografias e as notas do Caminho. Cada imagem guarda um cheiro, uma temperatura, um cansaço feliz. O Caminho foi há meses, mas parece ontem.
Outubro chegou e com ele a vontade de rever as fotografias do Caminho. São centenas, organizadas por dia, cada uma guardando não apenas uma imagem mas um momento completo: o cheiro de eucalipto molhado em Galiza, o frio dos Pireneus às seis da manhã, o calor seco da Meseta em junho.
A memória do Caminho é olfativa tanto quanto visual. O cheiro de roupa molhada a secar num albergue lotado. O aroma de café com churros no bar de uma aldeia às oito da manhã. O perfume de lavanda nos campos de Navarra. O sal do Atlântico em Fisterra.
Revi as fotos com a atenção de quem procura pormenores que a urgência do caminho não permitiu ver. Nas imagens da Cruz de Ferro, a luz do amanhecer pintava tudo de dourado. Em Roncesvalles, havia névoa a entrar pela janela do mosteiro. Em Santiago, as faces dos outros peregrinos na Missa do Peregrino eram rostos que não voltarei a ver — mas que não esquecerei.
O Caminho de Santiago não é uma experiência que se faz uma vez e se arquiva. É um diálogo que continua, entre a pessoa que foi e a pessoa que voltou. Entre o passo que se deu e o que se vai dar.
Até ao próximo Caminho. Ultreia.
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