Dia 19 – Astorga a Foncebadón: Subindo em Direção às Nuvens
A ascensão ao topo do Caminho Francês — 1.400 metros de altitude entre carvalhos e névoa

De Astorga, o Caminho começa a subir para os montes de León. Rabanal del Camino e Foncebadón marcam a ascensão que leva ao ponto mais alto do Caminho Francês — o local da Cruz de Ferro.
De Astorga, o Caminho começa imediatamente a subir. Deixamos para trás o Páramo e a Meseta e entramos nos Montes de León — uma transição que se sente no ar (mais frio, mais húmido) muito antes de se ver na paisagem.
A região que atravessamos chama-se Maragatería, habitada pelos Maragatos — um povo de origem incerta (árabe? visigótica? celta?) que preservou costumes e trajes tradicionais até ao século XX. Os aldeões maragatos foram famosos como almocreves (transportadores de mercadorias) e os seus nomes de família e as suas aldeias têm uma sonoridade diferente do restante de Castela.
Rabanal del Camino é a última aldeia antes da subida final. É aqui que muitos peregrinos passam a noite antes de enfrentar o troço final até a Cruz de Ferro. A aldeia tem uma atmosfera medieval intacta, com albergues simpáticos e um mosteiro de beneditinos alemães que celebra a Véspera das Completas (o último ofício do dia) aberta aos peregrinos.
A subida de Rabanal a Foncebadón é íngreme e exigente. A estrada sobe entre carvalhos e urzes, com neblina que entra e sai conforme o vento, e no topo do troço Foncebadón aparece — uma aldeia quase fantasma que foi despovoada nos anos 70 e voltou lentamente à vida graças ao Caminho.
As pedras e as ruínas de Foncebadón convivem hoje com albergues modernos e um bar onde os peregrinos se aquecem com café e tortilla. Amanhã: a Cruz de Ferro.
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