Dia 15 – Carrión a Sahagún: O Ponto Médio do Caminho
Sahagún marca o meio exato do Caminho Francês — um momento de celebração e reflexão

A etapa de Carrión a Sahagún inclui um trecho de 17km sem nenhuma aldeia — o trecho de Meseta mais isolado do Caminho. No final, Sahagún marca o meio da jornada.
De Carrión a Sahagún há uma advertência que todos os guias mencionam: os primeiros 17km saindo de Carrión não têm nenhuma aldeia, fonte ou serviço. É a Meseta em estado puro — apenas o caminho, os campos e o céu. Providencial levar água suficiente e uma boa dose de paciência.
Paradoxalmente, esses 17km são alguns dos mais belos do Caminho Francês. Longe de qualquer estrada, o caminho percorre uma antiga Via Romana (ainda se veem os traços do calçamento original) entre campos de trigo e papoulas vermelhas. Em junho, as papoulas estão no auge — manchas de vermelho vivo no dourado do trigo criam uma paleta de cores que seria kitch se não fosse tão real.
Calzadilla de la Cueza e Ledigos são as primeiras paradas, pequenas vilas de adobe que parecem crescidas diretamente da terra. Os habitantes, muito poucos, olham para os peregrinos com a familiaridade de quem convive com eles há gerações.
Sahagún marca o meio exato do Caminho Francês. A pedra quilométrica nessa meia-via é um local de celebração — peregrinos tiram fotos, abraçam-se, refletem. Chegamos até aqui. Ainda temos tanto a andar. Mas algo mudou: já não somos mais iniciantes.
A cidade tem uma curiosidade histórica notável: foi aqui que Afonso VI de Leão e Castela convocou cavaleiros de toda a Europa para repovoar a região após a Reconquista. Os nomes das ruas ainda refletem as nacionalidades dos colonos medievais — Rua dos Francos, Rua dos Mouros.
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