Dia 13 – Burgos a Castrojeriz: O Silêncio da Meseta Começa
Os primeiros dias na Meseta Castellana — o grande planalto que desafia e transforma os peregrinos

A saída de Burgos marca a entrada na Meseta — o vasto planalto de Castela que tanto assusta os peregrinos quanto os transforma. Campos infinitos, céu enorme e um silêncio que começa a falar.
A Meseta. Dois anos antes de chegar ao Caminho, lemos sobre ela. Durante as primeiras semanas de caminhada, ouvimos os peregrinos mais experientes falar sobre ela com uma mistura de respeito e antecipação. Agora, ao sair de Burgos e avistar o planalto se abrindo à nossa frente como um oceano de trigo dourado, entendemos.
A Meseta Castellana, que se estende por centenas de quilômetros no coração da Espanha, é a grande prova psicológica do Caminho. O terreno é plano ou levemente ondulado, os caminhos são retos até onde a vista alcança, as aldeias estão cada vez mais espaçadas. Não há distração visual — apenas você, sua mochila, seus pensamentos e um horizonte que nunca parece chegar.
Hornillos del Camino, um pequeno vilarejo de pedra amarelada à beira do caminho, parece congelado no século XIV. A Igreja de San Román, o pelourinho na praça, as casas de adobe com suas adegas semienterradas — tudo respira uma antiguidade que as cidades nunca poderão ter.
Castrojeriz, nosso destino, é coroada pelas ruínas de um castelo árabe que domina a silhueta da vila. A subida até o castelo ao pôr do sol, com o vilarejo lá embaixo e os campos se estendendo em todas as direções, é uma das vistas mais memoráveis do Caminho.
À noite, o silêncio da Meseta entrou pelo albergue. Nenhum carro, nenhum ruído urbano — apenas o vento nas telhas e, de vez em quando, o pio de um pássaro noturno. Um silêncio que limpa.
\nContinue pelo Caminho Francês
← Dia 12: capítulo anterior · Ver os 31 capítulos em ordem · Dia 14: próximo capítulo →


