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Dia 10 – Nájera a Santo Domingo de la Calzada: O Milagre da Galinha

A cidade do santo engenheiro e o milagre medieval que mantém galinhas vivas dentro de uma catedral

Dia 10 – Nájera a Santo Domingo de la Calzada: O Milagre da Galinha
EspanhaCaderno de campo / 020

Santo Domingo de la Calzada é uma das cidades mais curiosas do Caminho. Na sua catedral, uma galinha e um galo vivos habitam uma jaula gótica — parte de um milagre medieval que se repete há mais de 700 anos.

A estrada começa aqui

A etapa de Nájera a Santo Domingo de la Calzada (21km) atravessa campos de cereais e aldeias tranquilas de La Rioja Alta. A paisagem é ampla, aberta, com aquela qualidade de infinito que começa a aparecer à medida que nos aproximamos da Meseta.

Azofra, Cirueña e Grañón são os pontos de passagem — pequenas aldeias onde o tempo parece ter parado no século XIII. Em Cirueña, um campo de golfe surgiu misteriosamente no meio do nada, criando uma das imagens mais surrealistas do Caminho: peregrinos carregando mochilas pesadas atravessando um fairway perfeitamente aparado.

Santo Domingo de la Calzada (São Domingos do Calçamento, em tradução livre) deve seu nome a Domingo García, um ermitão do século XI que dedicou sua vida a construir pontes, calçadas e um hospital para facilitar a vida dos peregrinos de Santiago. Foi canonizado e é padroeiro dos engenheiros civis espanhóis.

A Catedral de Santo Domingo guarda uma das maiores curiosidades do Caminho: uma gaiola gótica com uma galinha e um galo vivos. O milagre? Um peregrino alemão foi falsamente acusado de roubo e enforcado. Quando seus pais voltaram para recuperar o corpo, encontraram-no ainda vivo. Foram ao juiz relatar o milagre — o magistrado, cético, respondeu que o filho estava tão vivo quanto os frangos assados no seu prato. As aves levantaram-se e bateram asas. O milagre foi declarado. Desde então, uma galinha e um galo habitam a catedral em memória permanente do acontecimento.

Entramos na catedral e ficamos face a face com a galinha mais famosa da história do Caminho. Ela nos olhou com a indiferença típica da espécie, completamente alheia à sua celebridade medieval.

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