Dia 3 – Roncesvalles a Zubiri: Bosques, Fadas e Pedras Medievais
A descida dos Pireneus revela uma Navarra exuberante, coberta de faias e carvalhos centenários

Após a grandiosidade dos Pireneus, o caminho desce por florestas de faia encantadas até o pequeno vilarejo de Zubiri. Um dia mais suave no corpo, mas igualmente rico em beleza.
Depois da epopeia dos Pireneus, o terceiro dia trouxe um ritmo mais gentil. O Caminho desce gradualmente pelos bosques de faia de Navarra — uma das paisagens mais mágicas e evocativas de todo o percurso.
A floresta de Erro, com suas árvores centenárias e o musgo que cobre pedras e troncos, cria uma atmosfera quase irreal. Nos dias de névoa, os raios de sol filtrados pelas copas das faias fazem parecer que estamos num conto de fadas. Não é difícil entender por que o Caminho de Santiago carrega tanta espiritualidade.
Passamos por Burguete (o "Burguête" de Hemingway, que imortalizou a região em "O Sol Também Se Levanta"), Espinal e Viskarret — pequenas aldeias navarras que parecem paradas no tempo, com suas casas de pedra e pórticos floridos.
Zubiri, nosso destino do dia, fica às margens do Rio Arga. A famosa ponte medieval de Zubiri (Puente de la Rabia) é dita ter poderes curativos para o gado que a atravessa. Chegamos cansados, mas com aquela satisfação crescente de quem vai percebendo que suas pernas são mais fortes do que imaginava.
À noite, conversamos longamente com outros peregrinos no albergue. Um alemão que andava pela terceira vez, uma sul-coreana fazendo o Caminho como "rito de passagem" antes de uma grande decisão de vida, e uma família portuguesa que caminhava unida. O Caminho já mostrava sua magia de aproximar pessoas.
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